julho 02, 2009


sozinho me evaporei
mente cheia de vazio
tempo pensamento
memorias
e o nada ...

no escuro gritei ...

no escuro lutei...

no escuro morri. morrerei....

... lentamente ...

testamento

vazio ...

junho 25, 2009


vestido de negro
sem tons de branco

despido de luz
alma negra sem encanto

inerte
desprovido de explosivos

pavio sem dinamite
chama apagada

degraus não são escada

arma desarmada que teima em disparar

sem pólvora fosforo não arde

sem calor chama não queima

em gelo ... pousa ...

louco ou heroi..


louco aquele que vendado vê
pobre aquele que amordaçado fala
triste aquele que enforcado vive

herói aquele que se apaixona por uma pistola
lhe coloca munições
e de si se separa..

herói aquele que desiste de viver
porque para que viver quando se pode desaparecer

desculpa se nao posso morrer ...


desculpa se o céu ficou negro...
desculpa se espetei facas em bebes ....
desculpa se matei as individualidades espaciais...

se ate poeta se tornou voto expiatório ...
porque não posso eu morrer?

se não tenho futuro
e se o céu não foi feito para mim ...
se me atiro ao fogo ...
ardo em inferno próprio ..
porque não posso eu morrer?

se vejo apenas larvas vestidas de borboletas...
se nem as larvas meu corpo querem ...
se nem em prata tenho valor
e insectos me descartam ..
porque não posso eu morrer?

então eu desejo ser um rei ...
ser eterno rei ...
em reino de nada...
apenas espaço ...
vendendo nada a ninguém ...trocando inexistente alma por alguém

se ao menos fosse bom o suficiente... veria o céu e saberia que não estou sozinho

abril 18, 2009

Ha algum tempo que nao escrevo


há algum tempo que não escrevo
não sou escritor
não escrevo seguido
não sou seguido enquanto escrevo

junto palavras
não junto ovelhas como pastor
não junto tons como compositor
não junto metais qual escultor
e dita a verdade nem palavras juntas
nem escritor...

apenas separo

separo os sentimentos da névoa
umas vezes dito a névoa
outras vezes o sentimento
dito, minhas mãos escrevem,
e dita a verdade nem escrever sei
descrevo...

perfilo palavras de engraçada forma
junto verbos e advérbios provérbios
e trapézios
círculos e rectângulos
ângulos e rectas
dito o que vejo
descrevo o que sinto....

mas como nem sempre o sentimento tem sensaçao
o odor tem cheiro...
e da visão nem cor ...

por vezes nem texto nem dor
por vezes nem letras sem cor ...

minhas mãos não escrevem
meus olhos não vêem
coração não sente ....

e deste rebanho de palavras malhadas a gramática não se recente ...



e assim explico o porquê de não escrever há já bastante tempo

novembro 24, 2008


caminho pelas ruas do esquecimento
para não me lembrar de apenas..

vagueio por ruelas de escuridao
porque a luz meus olhos fere
e minha (in)sanidade arranca...

escondo-me em becos
e a multidão não me vê ...
não me sente
em falso me julga
não mutila

apareço na solidão da noite
e na escuridao do dia
vestindo reflexos
e confundindo sombras

mentindo olhares
e ocultando cores

surpreendo a luz com
o engolir do sol
e o implodir do dia
escandalizo o guardião
e reescrevo o guião de mais um dia
sem que no interior de minha alma fria
uma chama sorria...

outubro 20, 2008

dois textos diferentes


Desta vez, e depois de algum tempo, dois textos muito diferentes do normal,
sem sequer saber como os classificar, talvez uma espécie de critica ou algo do género, enfim decididamente diferentes e com exageradas mensagens "escondidas". Deixo a interpretação á vontade de cada um ....


Pequena Cidade

eu tive um pesadelo
vivia numa pequena cidade
onde pequenos sonhos eram destroçados
palavras eram faladas e ditas
nunca ouvidas e jamais escutadas

as pequenas pessoas tinham muito pouco a dizer
contar e nem mais viver
o tempo tinha sido encurtado
pois nada era mais importante

mais que um livro numa estante
era um mundo no esgoto
e sem esforço
se deixavam morrer

as pessoas não tinham rosto
nem sentimentos
e sem pensamentos
sem existirem nunca o seriam

o vento era imóvel
a agua parada
e o instável tempo vivia fugindo de sua estrada

as crianças não existiam
os animais não sorriam
apenas em imaginação viviam

os seres não amavam
os seres não choravam
nem o rebelde se revoltava
e nem mais o padre pregava
quanto mais a velha o escutava

um dia a chova começou...
o vento soprou
e o tempo se mostrou

nem metáfora sobrou
pensamento nao pensou
coração de entregou
a pequena pessoa se elevou
chorou gritou
e nem sentimento se escusou
a dizer sentir viver e algum dia morrer

a cidade já não é pequena mas pequenas pessoas sempre
existiram
no fim do mundo estarão espalhadas ate ao meio do chão
pois dai não sairão
estatura não falta
mas alma não lhes pertence
alugada esta ...e assim permanecera

- este primeiro talvez o mais normal dos dois


Jogo de computador

todas estas visões na minha cabeça
algumas vivas ou outras mortas
mas nada disso faz diferença
quando estão na minha cabeça

deixo a porta aberta
para as ver quando atacam
umas são brancas outras pretas
mas nada disso faz diferença
quando são a minha sombra

mantenho a arma carregada
a mente acelerada
e o coração pronto a disparar

o dia vai morrendo
e eu não desaparecendo
continuo a disparar
pois nem o dia me vai acabar
com a vontade de sobreviver

a demência me ocupa
sem que a dormência me entorpeça
e a pontaria certeira não desapareça
continuo a alvejar de forma a aniquilar

agora que o dia se encerra
me deito de olhos bem abertos
e assim não adormeço
pois nem o dia me vai matar
nem a minha mente de desligar ate
esta visão me conquistar e a loucura
me alcançar ....

agora que a manha nasce
depois de os aniquilar ...
minha arma vou suicidar
pois sem propósito para disparar
corpos ela não vai amar ...

e assim ...
fecho os olhos parar dormir vendo minha alma em sangue partir

- este segundo, com um titulo aparentemente nada ligado ao texto, mas muito ligado...

se alguém quiser explicações ... não sei se serei capaz de as dar ...

nota: imagem de mataleone no blog mataleonebr.blogspot.com , uma imagem que nos mostra uma metáfora fantastica.

setembro 30, 2008

há dias em que evito escrever,
para que as palavras não
transmitam o desejo de
meu ser nem sonhar quanto
mais viver...

há dias em que evito pensar
para que meu pensamento
não me transporte para a realidade
de deambular, sofrer e viver...

há dias em que paro o respirar
para á morte me entregar
assim ousar
acabar com o tempo que o tempo
me fez te conhecer...

e assim me entrego com
total desprezo pela luz
e alegria, solidão sombria
na sombra sem dia
me espera
me abraça
me oblitera
me entrego
não resisto
nem desisto
apenas me conquisto pela escuridao sem dia...




sem comentários, sem considerações, dedicatórias ou explicações .

setembro 12, 2008

noite/dia/ciclo


quando a noite se fecha
meu pensamento não encerra ...
vagueia ate o acordar do dia ...

quando a manha aparece
meu pensamento não abre nem rejuvenesce ...
meu coração se fecha e endurece ...

meu mundo em pedra se transparece...
minha voz sem gelo não se fala ...
e em gelo que não estala,
meu sangue adormece ...

minha vida não se transforma
e no oceano se entorna...
sem esperada ausência de tal dormência
de que meu pensamento não desperta ...
sem sentir de sentimento
de que o momento nem o sol aqueça...
e em mim já mais transpareça
anseio demência ou mistério da surpresa ...
sem que em mim a mente obedeça
ao ritmo em que o som o silencio tropeça ...

por fim mas sem fim ...
nem da vista me serve naquele lento respirar
que faz com que o desejo a minha vida queira acabar ...

e por fim mas sem o fim terminar...
volto a adormecer e como feitiço
da loucura ou praga da demência
minha noite interminável
e meu dia sombrio retomam seu ciclo inquebrável ...




aviso a navegação: não espelha o estado de espírito do seu criador

setembro 11, 2008

mente,demente

sinceramente...
há universos que não entendo...
há universos que não quero entender...
há universos que da tantos versos
apenas a sua simples e estúpida existência quero esquecer...

concretamente...
há antros estranhos em que minha mente não se sente...
minha inteligência não alcança
e meu ser se espanta com tanta podridão
de antros que mais que negros ...
são mais que a estúpida e vaga negridão ...

precisamente...
há pessoas que de estranhas que sao...
ate as suas propias entranhas...
se sentem mais que sujas...
e de psicológicas que são...
nem o pó do chão as livrarão da simples e triste solidão...

especificamente...
há pessoas em lagos negros...
há pessoas em multidão...
que tão vaga como o grão...
nem a areia quer ser comparada a si, então ...

cirugicamente...
demente muito tem ...
se a propia mente...
nao me mente mas me remete ao coração...
perco a razão...
e mais uma vez,
mais do que lenta
inexistente é a compreensão ...
de que de sermão...
nem as estrelas se livrarão ...

e por fim mas sem fim ...

tristemente...
olhar para o negro vento
que paira ao relento...
de tal pensamento...
sem encontrar rumo entre mais que a razão ...
aquele que em ser forma o coração ...


pensa nisto como um sermão ...
porque a ti já não consigo chamar-me a mim ...
...razão...



talvez um pouco confuso...
talvez ou mais do que isso criei-o assim...porque a vida por vezes é assim ...

não dedicado a mim, mas a uma mais do que grande, enorme amiga...

(sinceramente não encontrei foto para este post)